Revista Identitário – Número 3

8 03 2009

:: Índice de conteúdos ::

Nacional
- Face ao despovoamento do interior e à aglomeração no litoral: um Portugal enraizado!

Internacional
- O mestiço, a América e a etnopolítica
- Vergonhosa decisão judicial contra Philippe Vardon

Vida associativa
- Causa Identitária celebrou o dia da Restauração
- Diogo Canavarro orador convidado nas primeiras jornadas de Cultura e Património em Santa Maria

Dossier Crise Económica
- A crise financeira mundial do Outono de 2008
- O distribuitismo, alternativa económica
- Os identitários face à economia: algumas linhas de orientação
- O virtualismo da finança mundial

Entrevista
- Josep Anglada

Teoria
- Pensamento identitário: uma síntese

Cultura
- Febo Moniz, herói identitário
- O fim do petróleo. O grande desafio do séc. XXI
- Arditi – “Omne Ensis Impera
- «Tropa de Elite»
- Grupo de violas Campaniças – “Ilha dos vidros
- Triarii – “Muse in arms

Mais informações aqui.





Revista Identitário – Número 2

21 09 2008

:: Índice de conteúdos ::

Nacional
- Negócios do petróleo: quem ganha?
- Alcoutim vs. Albufeira: o retrato do país desequilibrado

Vida associativa
- II Conferência Internacional da Causa Identitária
- Vamos salvar o castelo de Alcobaça!
- Comunicados

Dossier Kosovo
- Porquê no Kosovo?
- Reflexões sobre a proclamação unilateral de independência do Kosovo
- Breve reflexão sobre o Kosovo

Cultura
- O mito da influência árabe na língua portuguesa
- Teixeira de Pascoaes, «A arte de ser Português»
- Castelo de Alcobaça

Entrevista
- Galandum Galundaina

Teoria
- Enraizamento local, enraizamento tecnológico: duas necessidades da mesma militância

Lido
- De Aubervilliers à cova da moura





Revista Identitário – Número 1

22 03 2008

:: Índice de conteúdos ::

Nacional
- A reforma do ensino
- Cimeira UE-África

Internacional
- Kosovo: a necessária opção
- Visto da Rússia

Vida associativa
- Convenção identitária
- Comunicados

Cultura
- 300: Esparta revisitada
- Entrudo de Lazarim
- Waldteufel

Entrevista
- Kai Murros

Teoria
- Porque somos identitários





Breve reflexão sobre o Kosovo

10 05 2009

Por Miguel Ângelo Jardim

Consumada a independência do Kosovo, orquestrada pelos Estados Unidos, com o beneplácito da maioria dos países Europeus, esta não trouxe nenhuma novidade à complexa situação dos Balcãs.

Permanecem as tensões étnicas, em particular onde habitam os albaneses, expansionistas e irredentistas, e os sérvios, já sem saída para o mar (recorde-se a independência de Montenegro), sentem-se legitimamente injustiçados e marginalizados pela comunidade internacional.

Os Estados Unidos, juntamente com os seus tradicionais aliados e agora com a solidariedade germânica, apostam na independência do Kosovo com o intuito de debilitar a Sérvia (tendo em conta que esta foi historicamente aliada da Rússia) sempre com o objectivo último, de acordo com a clássica tradição, dividir para reinar.

A União Europeia, paralisada devido a divergências internas na forma como lidar com a situação, tenta apagar o fogo com aliciamentos e promessas à Sérvia na tentativa de buscar uma solução airosa no contexto do já complicado imbróglio dos Balcãs.

Por outro lado, a Rússia e a China, assim como a União Indiana, países fundamentais no equilíbrio das relações internacionais, não reconheceram a soberania do Kosovo, nem tencionam fazê-lo, impedindo a entrada do território nas Nações Unidas.

Estamos face a um Estado reconhecido parcialmente pela comunidade internacional, sendo a região mais pauperizada de toda a Europa, muçulmano, base de tráfico de estupefacientes e de carne branca, dirigido por mafiosos, para quem o conceito de democracia há muito que é letra morta. O Kosovo é um Estado pária, subalternizado às aspirações da supremacia regional dos americanos.

Certamente que o quadro explosivo permanecerá: a Sérvia jamais aceitará a soberania do Kosovo e os Albaneses, por sua parte, não se ficarão pela independência. No futuro, acabarão por reclamar zonas onde são maioritários, destabilizando a Macedónia e o Montenegro.

A independência do Kosovo foi um acto aventureirista, intencionalmente anti-sérvio, e anti-europeu. Historicamente, o Kosovo foi, e é Servo.

O futuro continua em aberto. A solução do conflito obrigará à integração do Kosovo numa Sérvia federal, com garantias de autonomia político-administrativa, respeito pelas identidades de todas as comunidades nacionais ali existentes há séculos. Mas sejamos realistas e pragmáticos: reconciliar os Balcãs com a sua atribulada história só acontecerá de uma forma viável num contexto de uma Europa unida.





Kai Murros, um finlandês radical

15 01 2009

Por J. Martins

Quando decidi avançar com esta entrevista a Kai Murros, havia lido poucos escritos deste pensador finlandês, com os quais concomitantemente concordava e discordava nos mais diversos pontos. Contudo, estava bem ciente de que seria uma entrevista pouco pacífica, pois, não obstante a extrema polidez no trato, sabia antecipadamente que o senhor Murros não iria ter paliativos nem rodeios na exposição do seu pensamento.

É com propriedade que posso asseverar que Kai Murros é um homem polémico e que procura captar a atenção das pessoas, bem como chamar a si os holofotes dos media, por via de ideias-choque. Nas suas inúmeras presenças na televisão e na rádio, Murros tem provocado escândalos com as suas opiniões radicais e o seu apetite por medidas drásticas.

Não subscrevo integralmente as opiniões do meu interlocutor, as quais me parecem mormente excessivas, mas torna-se impossível esconder que Kai Murros é daqueles personagens fascinantes, representando na perfeição a idealização do intelectual exuberante e absolutamente desinteressado por convencionalismos sociais, acrescentando-se-lhe a particularidade de não procurar respeitabilidade ou reconhecimento público, mas somente ter a consciência de que está a cumprir a sua parte naquilo que designa por Revolução.

Pode explicar aos nossos leitores quando e porquê se decidiu envolver na política e como se define ideologicamente?

Sempre me interessei pela política e daquilo que a minha memória me permite recordar sou nacionalista desde sempre. Ao princípio o meu nacionalismo era bastante reaccionário, chauvinista e mesquinho, já nas questões económicas e sociais eu era um liberal de extrema-direita: nos anos 80, só para citar um exemplo, fui um feroz apoiante de Margaret Thatcher. O meu despertar europeu deu-se em 1983, com a idade de 14 anos, mas infelizmente permaneci um liberal de extrema-direita e thatcheriano por muitos anos.

A mudança decisiva na minha vida ocorreu no início dos anos 90. Eu tinha acabado de entrar para a Universidade de Helsínquia quando a Finlândia entrou numa das piores depressões económicas da sua história. Com o desaparecimento do optimismo económico e da autoconfiança “dos dourados anos 80” compreendi que as doutrinas da economia liberal não eram verdadeiras. Até então tinha acreditado que as leis da economia eram como as leis da natureza – objectivas, majestosas e imanentes – mas agora podia ver claramente que não era o caso: as leis da economia eram apenas propaganda política, uma máscara que a elite liberal usava para proteger os seus interesses.

Percebi que tinha de dar o salto em frente em direcção ao pensamento socialista. Considerei que tinha de me transformar num socialista sob que forma fosse – sendo que o tempo iria decidir essa forma, embora eu quisesse ser o menos dogmático possível. Nos anos 90 aprendi uma lição importante: um nacionalista deve ser sempre socialista. O nacionalismo é uma ideologia do colectivo. O nacionalismo visa sempre melhorar a vida do povo no seu conjunto, enquanto que o liberalismo rasga a nação em bocados para satisfazer as necessidades de indivíduos gananciosos e egoístas.

Foram as experiências dramáticas do início e meados dos anos 90 que me forçaram a envolver na política e a escrever o meu primeiro livro Revolution and how to do it in a modern society.

Você é o autor de um livro provocador e de algum modo escandaloso intitulado Revolution and how to do it in a modern society. Escrito em forma de manual para os membros de um partido revolucionário, o que esperava realmente alcançar com tal texto numa sociedade europeia totalmente conformista?

Eu pretendia obter a máxima publicidade possível com o meu livro. É óbvio que eu poderia ter escrito montes de cartas aos jornais queixando-me e acusando os estúpidos dos políticos e os gananciosos capitalistas, mas ninguém me iria dar atenção. Consequentemente tinha que me fazer notar, tinha que matar alguém, pelo menos verbalmente, e quando finalmente consegui o meu momento de fama acusei publicamente os políticos e os capitalistas finlandeses, dizendo-lhes que seriam presos e mandados para campos de detenção após a revolução. Surpreendentemente ninguém me processou por estas ameaças.

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